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A Importância das Provas no Processo Educacional - Hindemburg Melão Jr.


Milpalestras.com.br - Por Hindemburg Melão Jr.
Dezembro de 2005

IMPORTÂNCIA DAS PROVAS NO PROCESSO EDUCACIONAL - Hindemburg Melão Jr.

Texto extraído do projeto pedagógico apresentado pelo palestrante à Secretaria da Educação do município de Bom Jesus dos Perdões, e que será implementado em 2006.

Provas são muito mais do que instrumentos para “aprovar” ou “reprovar”. Prestam-se primordialmente à avaliação numérica e objetiva dos alunos, possibilitando a identificação de talentos e o diagnóstico de deficiências, bem como a quantificação da dimensão dos talentos e da gravidade das deficiências. Graças às provas é possível obter preciosas informações sobre a estrutura cognitiva e epistemológica das pessoas examinadas, e assim oferecer aos alunos e a seus respectivos tutores toda a orientação necessária para o melhor aproveitamento e desenvolvimento de suas potencialidades, reforçando os pontos fracos e cultivando os pontos fortes. Por isso a aplicação de uma prova exige que o examinador atenda a determinados quesitos: o examinador deve ter bons valores éticos, bons conceitos pedagógicos e completa compreensão das propriedades do instrumento de avaliação utilizado, a fim de que sua avaliação seja científica, unívoca e, acima de tudo, justa.

O escopo desta palestra não é um estudo exaustivo dos tópicos listados a seguir, mas sim discutir os pontos mais importantes sobre este tema e proporcionar ao educador uma visão panorâmica sobre procedimentos imprescindíveis ao pleno exercício de sua profissão, conhecimentos estes que o ajudarão a evitar os erros mais comuns, habilitando-o para construir melhores provas, tanto no que diz respeito ao conteúdo quanto no que respeita às propriedades pedagométricas e à correta interpretação das notas, além de capacitá-lo para solucionar uma vasta gama de problemas pedagógicos, substituindo os tradicionais “achismos” por procedimentos comprovadamente apropriados e eficientes.

As provas continuam sendo os melhores instrumentos que existem para avaliação pedagógica e psicológica. Há abundantes evidências de que as avaliações subjetivas feitas por professores costumam ser impregnadas de elementos pessoais, em que a relação de empatia ou apatia com os alunos acaba afetando drasticamente o julgamento do educador e levando-o a conclusões incorretas e pareceres iníquos. Eu mesmo já fui beneficiado muitas vezes por professores que simpatizavam comigo e me ofereciam algumas facilidades (em Educação Artística e Educação Física, por exemplo), enquanto outros alunos que talvez merecessem melhores notas, por terem mais talento artístico do que eu ou por serem atletas mais habilidosos do que eu, acabavam não recebendo notas tão boas pelo simples fato de não se darem bem com os professores. As notas nessas disciplinas eram atribuídas com base na avaliação subjetiva dos professores, dando margem a erros deste tipo, mas mesmo em outras disciplinas, quando havia exposição de seminários ou algo assim, a avaliação subjetiva acabava produzindo alguns resultados que talvez não fossem os mais justos. Em contraste a isso, as notas atribuídas com base em provas são muito mais imparciais e ainda por cima constituem documentos que podem ser futuramente examinados por especialistas, nos casos em que haja suspeitas sobre a equanimidade de uma avaliação. Por isso as provas são francamente superiores a qualquer método subjetivo. Alguém poderia contestar que nas provas pode-se “colar”. De fato, mas a “cola” e outros tipos de fraude são problemas causados por falhas na supervisão, portanto situa-se no âmbito da fiscalização, ou seja, é um problema extrínseco às provas.

Os educadores que costumam se posicionar contra a aplicação de provas, geralmente o fazem por estarem habituados a verem provas de tão baixa qualidade que suas críticas, na maioria das vezes, são plenamente justificadas. Até mesmo em grandes exames, como Fuvest e Enem, há erros graves na metodologia de construção dos itens, na seleção dos itens e no tratamento estatístico dos itens, portanto não é de surpreender que, perante este quadro tão alarmante, muitos educadores contestem a validade destes instrumentos de avaliação. Não obstante, é preciso enxergar onde o problema está de fato, para que a crítica não seja injusta e resulte num preconceito que causa ainda mais danos à qualidade do ensino. É necessário compreender que não há nada de errado em usar provas discursivas ou testes de múltipla escolha com a finalidade de acompanhar a evolução do aluno. Aliás, é importantíssimo valer-se destes meios para obter informações numéricas que representem a evolução dos alunos. Portanto não se pode renunciar ao uso de provas, como se o mal estivesse nas provas em si. O mal está em não haver disciplinas adequadas nos cursos de Pedagogia que ofereçam aos futuros educadores a bagagem necessária para que se tornem capazes de elaborar, aplicar e interpretar corretamente os resultados de questionários em geral, e esse mesmo problema também se observa em cursos de áreas ligadas à Administração, Publicidade, Economia e outras que envolvam questionários (pesquisa de intenção de compra, avaliação de satisfação com produtos e serviços, avaliação do impacto causado por mudanças na política de uma empresa etc.). A atitude correta, portanto, consiste em aprender como construir melhores provas, para que estas sejam capazes de aferir com acurácia e fidedignidade o grau de desempenho dos estudantes, possibilitando diagnosticar corretamente as características cognitivas e personalógicas de cada aluno, identificando pontos fortes e fracos para, em seguida, trabalhar nestes pontos de modo a contribuir para a inserção destes alunos na comunidade e no mercado de trabalho, ajudando-os para que se tornem melhores profissionais e melhores cidadãos. É justamente esta nossa proposta: oferecer um treinamento de alto nível, objetivando instruir e orientar os educadores que estejam sinceramente interessados em fazer o melhor possível para seus alunos.

O problema da má qualidade das provas usadas no Brasil e no mundo certamente não é o mais grave nem o mais urgente, porém é o mais fácil de lidar, é o mais barato e o que requer menos tempo para ser satisfatoriamente resolvido, por isso é estrategicamente interessante que o primeiro passo no sentido de melhorar a qualidade do Ensino tenha como foco a elaboração de melhores provas. Além disso, os mesmos métodos usados para provas também possibilitam criar questionários diversos para avaliação de todos os projetos subseqüentes. Problemas como o uso de narcóticos por alunos, violência familiar, gravidez precoce e outros problemas direta ou indiretamente ligados à Educação, para serem resolvidos precisam antes ser medidos, pois sem uma informação numérica que indique se o problema está aumentando ou diminuindo, fica difícil decidir se um determinado projeto está sendo bem sucedido ou não. Muitas vezes um projeto é aparentemente promissor e todos acreditam que funcionará, então colocam-no em prática e levam o projeto até o final, para depois descobrir que o efeito foi neutro ou mesmo negativo, resultando em desperdício de tempo, esforço e recursos. Para evitar surpresas desagradáveis como essa, depois que o projeto estiver em vigor deve-se periodicamente medir os resultados e avaliar se está cumprindo o objetivo, ou se convém substituir o projeto por outro, ou adaptá-lo em alguns pontos que não estejam funcionando a contento. E medir a qualidade de um projeto não é algo que se faça a esmo. Muito pelo contrário: para que a avaliação seja coerente e os resultados tenham utilidade, é imprescindível que sejam seguidas determinadas normas. Para avaliar tais projetos usam-se os mesmos métodos que servem para avaliar a evolução dos alunos, e quanto melhores forem os métodos usados na avaliação, tanto mais confiáveis serão os resultados. Por estes motivos, um curso sobre provas e questionários pode ser útil para outras finalidades além de avaliações individuais.

Algumas importantes utilidades das provas, quando elaboradas, aplicadas e interpretadas seguindo normas que atendam aos nossos padrões de qualidade:

Exemplo 1: No final do ano, um aluno obteve nota média 7,7 em Matemática e nota 9,1 em Língua Portuguesa, e os professores ficaram em dúvida para qual área este aluno apresenta maior vocação. Tanto os professores quanto os alunos acharam que a prova de Matemática estava mais difícil do que a de Português, portanto a nota mais alta em Português não era indicio suficiente de que o aluno apresentava mais talento para a Comunicação. Como proceder nesse caso, a fim de poder orientar corretamente este aluno na escolha de uma carreira?A palestra ensina uma maneira muito simples e segura para resolver este impasse.

Exemplo 2: Tenho uma lista de exercícios com 58 perguntas e desejo elaborar uma prova que contenha as 10 perguntas que melhor representem o conhecimento global de todas as 58. Como devo escolher estas 10 perguntas?

Exemplo 3: Apliquei uma prova de múltipla escolha com 10 perguntas e constatei que para 9 destas perguntas a alternativa mais escolhida era a alternativa certa, mas uma das perguntas teve predominância de escolhas numa alternativa errada. Isto é bom ou mau? Por quê?

Exemplo 4: Quando eu elaboro uma prova de múltipla escolha, é melhor formular alternativas em que o aluno não consiga descartar opções improváveis? Por quê? [Sugerimos leitura do artigo do palestrante “Pontos fracos na provas da Fuvest”, disponível para download em formato PDF na Sigma Magazine, em www.sigmasociety.com]

Exemplo 5: Desejo atribuir pesos diferentes às provas de cada bimestre. Costumo usar peso 1 no primeiro bimestre, peso 2 no segundo e no terceiro, peso 3 no quarto. Mas tenho notado que algumas vezes as provas com peso 2 são mais representativas da totalidade da matéria e deveriam receber maior peso. Como resolver este problema?

Exemplo 6: Temos um programa de incentivo aos estudantes mais dedicados e, para tanto, oferecemos prêmios aos alunos com melhores notas, além de envia-los para representar a escola em Olimpíadas da Matemática, Física, Química etc. Qual é a maneira mais justa de atribuir estes prêmios e selecionar os representantes da escola, de modo que os premiados sejam efetivamente aqueles que demonstraram melhor desempenho global, tendo em conta fatores tais como o diferente nível de dificuldade das provas?

Exemplo 7: Para os alunos do 3o ano do Ensino Médio, costumamos aplicar provas que visam a simular o desempenho que os alunos teriam no vestibular, e para isso incluímos várias questões extraídas de vestibulares passados e algumas questões novas. No entanto, o desempenho dos alunos nesses simulados costuma ser significativamente diferente do desempenho nos vestibulares propriamente ditos, de modo que estas provas não estão se mostrando como bons preditores de desempenho no vestibular. Como proceder para que estes simulados sejam preditores eficientes? (este problema é enfrentado por praticamente todos os melhores colégios e melhores cursos pré-vestibular, e é resolvido nas palestras dos módulos II e IV).

Sugestões de leitura de temas afins:

http://www.sigmasociety.com/artigos/fuvest_2004_artigo.pdf
http://www.sigmasociety.com/artigos/historia.pdf
http://www.sigmasociety.com/sigma_teste/sigma_sigma_teste.asp

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